O mundo

O mundo não pára, todos procuram um caminho, mudanças, novos tempos, enquanto eu fico parado. Será preguiça, falta de empenho? Ou será simplesmente receio de voltar a errar, receio de dar o primeiro passo e voltarem a cortar-me as assas, receio que seja apenas mais uma tentativa entre muitas outras que virão. As feridas essas que sararam antes, abrem-se um após uma, escorrem-me com força nas veias e tudo bate fundo, tudo o que fiz o que faço está preso por um fio que rói até mais pano escuro que possa existir. 

É como se não pudesse partilhar o mesmo ar, como se o errado fosse do meu lado, como se nunca pudesse fazer um simples sorriso perante a sociedade em que existimos. Fechar os olhos é duro, aguentar com encontrões por mais persistentes que sejamos, para um dia mais tarde me converter e agregar "à categoria dos apáticos e dos indiferentes".

Preconceito atinge os fracos, ou é um meio de elevar os que se julgam fortes? Será preconceito um defeito ou um estado de ignorância?


wilson figueiredo.

Os temas

Os temas descritos nesta instância de pensamentos são monotonamente irrisorios. Redundantes e monocórdicos presos à mesma identidade.
Qual a extensão da vossa capacidade literária se tudo o que leio circula à volta do mesmo, o amor.
Amo alguem mais do que meras palavras podessem descrever, daí não as enveneno de esgotamento e cansaço deixando-as quanto a isso repousando onde pertencem, intimamente ligadas a mim.

Escrevo pouco sobre ti e mais sobre o mundo, não por não me seres importante, mas sim por não querer pertencer à categoria dos apáticos e indiferentes. Renego e procuro a salvação da indiferença quotidiana e da trivialidade.

Para terminar cito que compreendo as vossas banalidades amorosas, pois alguém que nunca esteve doente não entende a saúde, como alguém que nunca esteve preso não sabe apreciar a liberdade ou tão pouco alguém que nunca tenha presenciado a morte sabe dar valor à vida.

wilson figueiredo